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2015.09.12

Que Horas Ela Volta?

Prefiro o título em inglês; Segunda Mãe. Menos forte no ponto de vista do marketing, mas diz mais sobre o que veio. O filme faz uma crítica ao preconceito contra os pobres e imigrantes que se sujeitam a trabalhar na cidade grande, deixando a família para trás (mas com uma grande ferida no peito causada pela enorme saudade). A família rica mal nota a presença da criada e faxineira, se comporta como se fossem os melhores amigos e melhores patrões, mas tudo isso numa máscara de hipocrisia.

Regina Casé, a criada, é bem solitária mas aprendeu a lidar com sua posição no mundo. Não parece sofrer particularmente com isso todo dia. Com seus pequenos luxos, ela vai levando a vida, dia a dia. Cuida do filho dos patrões como se fosse uma mãe. Ela tem enorme carinho por todos, mesmo vivendo numa realidade completamente diferente.

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Só com a chegada inesperada da filha é que seus valores com a vida começam a ser questionados. A filha é rebelde e de personalidade forte, crítica com tudo que vê e ouve e bota em cheque o modo em que a mãe vive e trabalha. A doméstica que sempre teve respeito pelos patrões começa a questionar se a filha não está certa e tudo não poderia ser diferente.

Regina Casé mostra que é uma excelente atriz cômica, mesmo em momentos mais dramáticos. Os outros personagens são demasiadamente caricatos, mas passam a mensagem.

My Rating:8★★★★★★★★
Metacritic: 82
Rotten Tomatoes: 97
2014.10.01

Os papéis de advogado e juiz ficam misturados por aqueles que advogam por seus ideais

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2014.09.22

INOVApps Ticado

Como dito anteriormente, eu estava bem interessado em entrar na competição do INOVApps, um concurso do Ministério das Comunicações para criação de aplicativos e jogos educativos ou de utilidade pública.

Por ser um indie (a caminho de ser um profissional em tempo integral) a alguns anos, eu tenho muito material já criado. Eu gosto muito de experimentar e já tenho diversos protótipos e ideias já começados. Material não faltaria para uma adaptação.

O concurso avalia somente a documentação do projeto e o produto em si. Isso significa que todos os jogos, prototipos e testes que eu já fiz, joguei e compartilhei com amigos não vale muito. Teria de transformar isso em palavras: seu funcionamento, as dificuldades de um eventual projeto a quais as experiências ao jogar.

Como o concurso permitia inscrever até 2 projetos por pessoa, acabei inscrevendo 2 jogos: Cidades Maravilhosas e Linha do Conhecimento.

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Cidades Maravilhosas é um jogo sobre construir uma cidade. Em cada rodada o jogador constrói uma nova obra na cidade. Cada obra traz alguns benefícios (e as vezes malefícios) a cidade e eles são bem dependentes da sua localização (nenhuma residência quer ficar próxima a um lixão ou aeroporto barulhento). E como a lista de obras é única para todos os jogadores, se alguém fizer um estádio, as outras cidades vão ficar sem ele. É importante balancear cuidadosamente a distribuição da cidade. Ganha quem tiver a cidade mais desenvolvida (maior população).

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Linha do Conhecimento é sobre educação, mais propriamente História do Brasil sem ser decoreba. O jogo começa com dois eventos históricos na “mesa”. Cada jogador terá uma lista de eventos históricos na mão e tem de dizer se eles vem antes, depois ou entre estes dois eventos. Simples não?! Simples, mas muito divertido. Eu já joguei este jogo sem qualquer arte com alguns grupos de amigo, só com textos e figuras genéricas e a aceitação foi enorme. Ele dá tanto para ser usado numa sala de aula como numa roda de amigos.

Documentos

Com a cada dia mais eminente estréia do primeiro jogo oficial da Gamenific, Picubic, minha atenção ficou bem dividida. E tudo isso trabalhando só depois do expediente, na madrugada. Foi um enorme desafio vender a ideia a alguns artistas talentosos que conheço e fazer eles mergulharem no projeto. No final, fiquei contente com os que aceitaram: Tom e Ricardo são experientes e tem um estilo muito diferente da abordagem tradicional, e só com o pouco que já criaram acho que vai dar aos avaliadores uma boa impressão.

Gravei uma séries de vídeos para os dois jogos. Mas só deu tempo de produzir o do Cidades Maravilhosas, pois Ricardo tinha já muitos compromissos (lembrando que o concurso foi anunciado a 1 mes). Tentamos passar tanto a ideia do projeto como uma passada de projetos passados.

Linha do Conhecimento ficou prejudicado por não ter sido minha escohla inicial. Eu tinha planejado criar um jogo sobre segurança pública, “Segurança e Inteligência”, mas depois de escrever, gravar, prototipar, achei que não estava na pegada correta para um concuso de jogos sérios/educativos. Então tomamos a decisão de trocar. Eu apostava no Linha do Conhecimento como um backup, pois era um projeto mais antigo, mas depois que optamos por promovê-lo, tentamos que revisitar os códigos para ver se ele ainda era divertido mesmo.

Agora não é Esperar

No final das contas, acho que ambos os projetos são muito bons. Como os jurados nunca jogaram e terão de sentir isso somente lendo um documento, tudo é possível. Enquanto isso, eu vou manter o desenvolvimento andando num ritmo básico, pois se os projetos forem selecionados, eu posso já ter adiantado um pouco do trabalho. Se não for, tenho total interesse em prosseguir com os projetos de outra forma, então o trabalho não será perdido. Devo ir postando aqui qualquer novidade.

Em novembro, vamos todos saber o que aconteceu.

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2014.09.20

Educação Governamental: Voucher

No Brasil, os dados não mentem: temos uma educação fundamental pública de péssima qualidade. Os desafortunados pais que não tem recursos para bancar uma educação em instituição particular terá de colocar seu filho numa escola do Estado (municipal, estadual ou federal). As chances de um futuro melhor diminuem imediatamente. Estas escolas são péssimas (na média estatística).

Origem 1

Um dos grandes problemas é que, até na constituição, há uma ideia que a educação básica é muito pulverizada, então seria mais inteligente deixar a cargo de prefeituras, enquanto os níveis médio e superior tem menos alunos e tem custos mais altos, então ficaria a cardo do governo estadual e federal, respectivamente. Acontece que grande parte das prefeituras no país são deficitárias, dependente de recursos federais como se fossem mendigos pedindo esmola. Sem recursos, o repasse para a educação fica seriamente comprometido. Professores com salários muito baixos não atrai novos bons candidatos e estrutura deficiente dificulta o aprendizado.

Origem 2

Há também uma constatação antiga: o estado é muito ineficiente para executar. Estar no front de combate requer uma agilidade que o estado não tem. Mesmo depois de anos com avaliações ruins, professores públicos não são demitidos, não se consegue construir ou reformar as instalações, e a pedagogia fica engessada.

O resultado é que temos hoje que dar cotas nas universidades para classes desfavorecidas, para compensar o enorme atraso educacional que tiveram na base. Temos de achar uma solução para a base.

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Vem então uma alternativa:

O voucher educacional

A ideia central é resolver um problema de dinheiro com dinheiro.

Ao contrário de ter uma rede de escolas próprias, o estado administraria somente o dinheiro, pagando mensalidade de alunos pobres que não tem condições de pagar uma escola. O custo-por-aluno seria, por certo, mais alto. Mas definitivamente mais efetivo.

Temos uma experiência parecida com o programa FIES, do governo federal. Nele, o aluno sem condições recebe um financiamento (um empréstimo) para estudar em uma universidade. Ao final do curso, o aluno se compromete a pagar o empréstimo com o dinheiro de seu salário, aos poucos. Uma iniciativa equivalente deveria ser implementada no ensino básico.

Fonte do dinheiro

Um sistema grande assim teria de ser administrado pelo governo federal. Mas os recursos deveriam ser compartilhados com as três esferas. O município contribuiria com uma parcela das despesas para os alunos residentes em seu território. O mesmo vale para o governo estadual.

Os estados teriam de privatizar as suas instituições. Além de levantar caixa para a iniciativa, deixaria de se preocupar com esta frente. Em bairros mais ricos, poderia fazer estímulos aos pais montarem uma cooperativa e adquirirem o controle. Para os mais pobres, qualquer rede que tenha interesse poderia levar. Juntamente com o orçamento anual em educação, as prefeituras teriam mais capacidade em contribuir.

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Beneficiados

Ao contrário do que se tem hoje, o novo sistema seria regido por apenas uma variável: dinheiro. Quem não tiver, ganha o benefício. Quem tem, vai pagar a mensalidade da escola normalmente. Isso corrige injustiças que deixam as crianças de famílias ricas terem educação de qualidade gratuitamente quando poderiam ajudar a financiar o sistema. Os cadastros existentes de programas como Bolsa Família e a Receita Federal poderiam ser usados para controlar. Na verdade, há uma janela boa para se centralizar estes cadastros.

O benefício deveria ter um escalonamento: quanto mais pobre a família, mais o estado contribuiria. Também poderia ter modalidades de empréstimo, mas é bem mais complicado executar isso que o FIES, já que os alunos do FIES em pouco tempo vão ter renda para conseguir pagar. Ainda sim, vale o estudo

A rede escolar

Logicamente os governos terão interesse em privatizar suas escolas. Uma vez que o cidadão poderá escolher quaisquer escolas privadas e terão a mensalidade paga, elas dificilmente escolherão as públicas por vontade própria.

A rede credenciada seria avaliada anualmente. O teto da mensalidade que o governo pagaria dependeria do desempenho da escola. Uma boa escola receberia um valor maior para cada aluno, enquanto uma escola ruim teria direito a um valor menor. Estes valores seriam controlados pelo Estado, e poderiam ter pesos diferentes nas regiões do país.

A rede particular deve ter faculdade a participar do sistema. Nada obrigatório. Afinal, é possível que alguma escola queira ter uma filosofia de trabalho especial e não abrir as portas a todos. Entretanto, deveria ter uma sobretaxa pela não-adesão ou um desconto em impostos para os aderentes. O estímulo econômico é o principal fator de seu sucesso.


A décadas que governantes prometem e tentam desenhar soluções para o ensino público. A décadas as iniciativas são ineficazes. Simplesmente não resultam em melhor educação. Os números são consistentes desde que eu aprendi a ler, literalmente: o ensino público é uma porcaria.

Esta é certamente uma proposta ousada. Mas é sem demagogia. É resolver o problema de dinheiro com dinheiro.

2014.08.11

INOVApps

Descobri semana passada que o Ministério das Comunicações está organizando um corcurso nacional de Aplicativos e Jogos Sérios para dispositivos móveis. Serão 25 escolhidos em cada categoria com prêmio de 100 mil reais cada! Nada mal se o ganhador for uma pessoa física.

Ministério

Achei particularmente curioso o concurso vir deste ministério e não do MinC (Ministério da Cultura). Há vários anos atrás (acho que em 2003), eu e meu amigo Gabriel participamos do JogosBR, um concurso similar mas que era para promover a indústria dos jogos eletrônicos no geral. Nosso jogo foi o Color Rangers, um jogo de estratégia com RPG no universo dos heróis japoneses. Ele passou na primeira etapa, mas não da segunda, que é a que valeria dinheiro mesmo. Hoje eu teria condições de executar este projeto com certeza. Ao menos a primeira fase nos rendeu uma foto ao lado do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil.

No começo do ano nós descobrimos que a Behold, uma desenvolvedora brasileira, estava fazendo um jogo chamado Color Squad, um jogo de estratégia com RPG no universo dos heróis japoneses… Coincidência? Acho que não, mas isso não importa. Fico até orgulhoso pois mostra que tivemos uma ideia bem legal.

Documentos como produto final

Assim como o antigo concurso do Ministério da Cultura, este concurso vai julgar um projeto de jogo e não o jogo já feito. Isso é uma postura bem diferente do que eu já fiz principalmente nos Ludum Dare (competição de criação de jogos em 48h) em que o que vai a juri é o jogo que você conseguiu criar.

No INOVApps, o que vai ser julgado é a proposta. É uma série de documentos que descrevem o jogo e como ele será feito. Deve-se dizer qual é a mecânica do jogo, seu tema, fases, arte conceitual. Com base nestes documentos eles vão ver quem tem uma boa ideia e parece ter capacidade de executá-la.

Eu tenho um pouco de receio deste tipo de abordagem já que ele dá margem para os participantes viajarem na maionese e escreverem projetos . E pior, dá margem para que eles sequer escrevam uma linha de código para o jogo final.

Com relação a este último item, o regulamento do concurso lida bem pois, mesmo com os ganhadores já definidos, só vai liberar grande parte dos recursos só depois de dar entregáveis. Só depois do jogo concluído é que se teria direito a mais de 40% do dinheiro.

Jogos sérios

Investiguei na internet e li bastante sobre o assunto de jogos sérios. Fiquei um pouco temeroso pois a maioria dos jogos sérios… não é jogo, e sim conteúdo interativo. Segundo a teoria dos jogos, um jogo deve ter uma dinâmica entre os participantes, em que a ação de um afetaria o outro.

Vi vários visualizadores 3D e 2D, com diversos graus de interação. Mas vi realmente poucos que eu chamaria de jogos. Sem qualquer tipo de pontuação ou limitarores (como vidas), é difícil considerar um infográfico interativo como um jogo. Espero que a banca tenha isso em mente.

Minha proposta

Estou totalmente tentado a participar do concurso. Estou já com alguns pequenos protótipos que poderia facilmente adaptar para um jogo mais educativo, com temática mais séria, mas ainda sim mantendo ele divertido e interessante.

Sempre fui facisnado com o conceito de que, na pele de um governante, é tudo bem mais complicado que se apenas ver de fora. Gosto do conceito de que tudo tem 2 lados. Meus jogos sempre refletem isso, fazendo com que o jogador sempre tenha um certo dilema ao tentar ganhar dinheiro em detrimento da felicidade ou tentar vencer a guerra deixando alguns aliados morrerem.

Para apresentar alguma proposta é preciso que ela seja enquadrada em uma das categorias listadas no edital.

Estou querendo abordar a violência. No mundo dos jogos ela é sempre retratada de uma maneira muito simplista: bem contra o mal. Mesmo em jogos de estratégia, todos os que não são amigos são inimigos. Acho que dá para explorar este conceito de quem é amigo e quem é inimigo, além do que eu já tentei, ao colocar dilemas morais.

Também estou bastante interessado tem temas de governabilidade. Acho que posso atacar temas como turismo e uma dinâmica de toma-lá-dá-cá. Algo como Trópico, mas com uma pegada um pouco mais didática e com base histórica.

Qualquer que seja a proposta, vou tentar fazer uma obra de entreterimento. Isso por uma razão pragmática: se o jogo for bom e divertido, os jogadores jogarão mais e o conteúdo informativo será mais fixado. Não adianta ser uma obra intessante que a pessoa vê, usa e joga fora. Ele tem de ter uma vida útil longa. E vou tentar garantir isso por meio de um mecânicas de jogo.

Bruno 𝕄𝔸𝕊𝕊𝔸